Para planejar a passagem dos cabos de energia solar numa cobertura, você precisa definir três coisas antes de furar qualquer telha: o trajeto (do painel até o inversor e o quadro), o tipo de proteção mecânica em cada trecho (eletroduto rígido com proteção UV nos trechos expostos, eletrocalha em percursos longos, conduíte corrugado apenas em áreas abrigadas) e os pontos de transposição da cobertura, que são onde mora o risco de infiltração. A regra de ouro é separar o lado CC (corrente contínua, entre módulos e inversor) do lado CA (corrente alternada, do inversor ao quadro), nunca passando os dois no mesmo duto, e garantir que todo material exposto ao sol — cabo, eletroduto, abraçadeira — seja resistente a raios UV. Abaixo está o passo a passo técnico para fazer isso direito, seja a cobertura de telha sanduíche, policarbonato, telha colonial ou uma estrutura de toldo metálico que vai receber os painéis.
Por onde os cabos passam: o trajeto completo do painel ao quadro
Antes de pensar em duto, desenhe o caminho. Um sistema fotovoltaico típico tem dois mundos elétricos distintos, e o cabo muda de natureza ao longo do percurso:
- Lado CC (corrente contínua): dos módulos até a string box e o inversor. Usa cabo solar específico (preto e vermelho, dupla isolação, classe 1 kV, resistente a 90 °C e a UV). É o trecho mais exposto ao sol, normalmente correndo sobre a cobertura.
- Lado CA (corrente alternada): do inversor até o quadro de distribuição e o padrão de entrada. Usa cabo convencional dimensionado pela NBR 5410, frequentemente já dentro da edificação.
A NBR 5410 é clara: condutores CC e CA não devem ser misturados no mesmo eletroduto ou eletrocalha. Além de evitar confusão em manutenção, separa fisicamente duas lógicas de risco diferentes. Planeje, então, dutos independentes ou pelo menos divisórias na eletrocalha.
O comprimento importa porque define a bitola. Pela NBR 16690, a seção do cabo CC deve ser calculada para uma queda de tensão máxima de cerca de 1,5% em strings de até 100 m, e a capacidade de condução deve ser de no mínimo 1,25 vez a corrente de curto-circuito (Isc) da string. Trajetos longos pedem bitola maior — por isso vale a pena posicionar o inversor o mais próximo possível dos painéis, encurtando o lado CC, que é o mais caro e crítico.
Proteção mecânica: qual duto usar em cada trecho
O erro mais comum é tratar todo o percurso igual. Cada trecho tem uma exigência diferente:
| Trecho | Proteção recomendada | Cuidado principal |
|---|---|---|
| Sobre a cobertura, exposto ao sol | Eletroduto rígido com proteção UV ou eletrocalha metálica | Material deve ter vida útil maior que a do sistema (25+ anos); conduíte corrugado comum craqueia no sol |
| Percurso longo horizontal | Eletrocalha (perfilada/lisa) com tampa | Manter raio mínimo de curvatura do cabo; separar CC de CA |
| Descida vertical / pela parede | Eletroduto rígido externo (PVC anti-UV ou aço galvanizado) | Conduletes e caixas de passagem em alumínio com vedação na tampa |
| Áreas abrigadas / dentro do forro | Conduíte corrugado é aceitável | Só onde não há incidência direta de sol e chuva |
Detalhe que pega muita gente: as abraçadeiras também precisam ser UV. Aquelas brancas ou transparentes de prateleira ressecam e quebram em poucos meses sob sol direto — use abraçadeiras pretas com garantia de resistência UV do fabricante, ou braçadeiras metálicas. Cabo solto batendo no telhado com o vento é causa frequente de falha por abrasão da isolação.
O ponto crítico: transpor a cobertura sem causar infiltração
Aqui está o que diferencia uma instalação nota 10 de uma goteira garantida. Sempre que o cabo precisa atravessar a cobertura — para descer ao inversor abaixo do telhado — você cria um furo, e furo em cobertura é convite à água. Boas práticas:
- Atravesse na crista, não no vale. A passagem é aceitável em telhados de caimento acentuado e na parte alta da onda da telha, onde não há fluxo reverso da água da chuva. Nunca no canal onde a água corre.
- Fure no diâmetro do duto, no sentido vertical, e use um eletroduto/saída de telhado próprio (há peças prontas com flange e vedação).
- Vede em duas camadas: vedação primária com a flange/peça e vedação adicional com espuma expansiva ou manta asfáltica ao redor do duto. Massa de vedação nas entradas e saídas das caixas de passagem completa o serviço.
- Em telha sanduíche ou metálica, prefira fixações coláveis sempre que possível, para reduzir furos na cobertura. Quando o furo for inevitável, capriche na estanqueidade — a telha sanduíche tem miolo isolante que, encharcado, pesa e degrada.
Se a cobertura é de policarbonato, o cuidado é redobrado: o material dilata bastante com a temperatura e não aceita furação rígida sem folga. Nesses casos, o ideal é planejar a descida dos cabos pela estrutura metálica (perfis, montantes) e não pela chapa, usando a própria estrutura do toldo de policarbonato como caminho protegido.
Integrando a passagem de cabos à estrutura da cobertura
Quando a cobertura é nova — um toldo, um pergolado ou uma estrutura metálica feita sob medida — você tem a chance de embutir o trajeto dos cabos no projeto, em vez de remendar depois. Isso muda tudo:
- Perfis e travessas viram eletrocalha natural. Vigas e montantes da estrutura metálica escondem e protegem os cabos, mantendo a cobertura limpa visualmente e os condutores longe do sol.
- Previsão de pontos de descida já na fabricação evita furos improvisados depois.
- Coberturas fixas (telha, policarbonato compacto, sanduíche) são as mais indicadas para receber painéis, por terem inclinação e estrutura previsíveis. A inclinação típica de telha metálica, forro ou sanduíche fica em torno de 5% a 15%; coberturas de policarbonato trabalham a partir de ~10%. Essa inclinação favorece o escoamento e ajuda a manter as passagens de cabo longe do acúmulo de água.
Vale uma ressalva honesta: estruturas retráteis e toldos de lona móveis não são bons candidatos para fixação de painéis nem para passagem permanente de cabos solares, justamente porque se movimentam. Para geração solar, o caminho é uma cobertura fixa e rígida. Já uma estrutura de pergolado de alumínio ou uma cobertura metálica fixa oferece base estável e perfis que organizam a fiação.
Checklist de planejamento antes de instalar
- Defina a posição do inversor e da string box para encurtar ao máximo o lado CC.
- Desenhe trajetos separados para CC e CA — nada de dividir o mesmo duto.
- Dimensione a bitola: ≥ 1,25 × Isc e queda de tensão dentro do limite (≈1,5% no CC).
- Especifique eletroduto/eletrocalha com proteção UV nos trechos expostos; corrugado só em área abrigada.
- Marque os pontos de transposição da cobertura na crista, com plano de vedação dupla.
- Use cabo solar 1 kV, dupla isolação, 90 °C e UV; abraçadeiras pretas UV.
- Mantenha o raio mínimo de curvatura — cabo dobrado em ângulo fechado fadiga e falha.
- Garanta aterramento e proteção (string box com DPS e fusíveis) conforme NBR 16690, 5410 e 5419.
Perguntas frequentes
Posso passar os cabos solares dentro de conduíte corrugado comum?
Não nos trechos expostos ao sol. O conduíte corrugado branco ou comum não resiste à radiação UV e craqueia em poucos meses. Use eletroduto rígido ou eletrocalha com proteção UV ao ar livre; o corrugado só serve em áreas internas e abrigadas.
Furar a cobertura para passar os cabos vai dar goteira?
Não, se for feito certo: furo no diâmetro exato do duto, sentido vertical, na crista da telha (nunca no canal) e com vedação dupla — peça/flange própria mais espuma expansiva ou manta asfáltica. O risco aparece quando se fura no vale da telha ou se confia em uma só camada de vedação.
Cabo CC e CA podem ir no mesmo eletroduto para economizar?
Não. A NBR 5410 orienta separar condutores CC e CA. Misturá-los dificulta a manutenção e cria risco de confusão entre as linhas. Planeje dutos independentes desde o início — sai mais barato do que retrabalhar depois.
Planejar a passagem dos cabos junto com a estrutura da cobertura evita furo errado, infiltração e retrabalho. A Toldos Demais atende a região de Piracicaba/SP (DDD 19) e faz a avaliação técnica da sua cobertura — seja telha, policarbonato, vidro ou estrutura metálica — para deixar tudo pronto e seguro para receber a fiação solar. Fale com a gente pelo contato e agende sua avaliação.
