A cobertura para campo society resolve-se, na prática, com três caminhos principais: estrutura metálica arqueada (em arco ou pórtico treliçado) coberta por telha metálica simples, telha sanduíche termoacústica ou telha de policarbonato; lona tensionada (tensoestrutura) em membrana de PVC/PVDF esticada entre mastros e cabos de aço; ou telhado convencional com telha sobre tesouras metálicas. Para um campo society de 25 a 35 m de largura por 45 a 55 m de comprimento, o ponto crítico é vencer o vão livre sem pilares dentro de campo e garantir pé-direito alto o bastante para a bola subir — em geral a partir de 6 metros de altura livre. A escolha entre os materiais depende de três variáveis: conforto térmico (calor sob a cobertura), entrada de luz natural e orçamento por metro quadrado. Abaixo destrincho cada solução com espessuras, inclinações, prós, contras e faixas de preço para você decidir com critério.
Quanto de área você precisa cobrir: dimensões reais do campo society
Antes de pensar em material, entenda a escala do problema. Pela Confederação Brasileira de Soccer Society, o campo é retangular com comprimento entre 45 e 55 metros e largura entre 25 e 35 metros. Para competições e jogos televisados recomenda-se o piso maior, a partir de 30 m x 50 m. Mas a cobertura raramente é só o campo: você precisa de uma margem de circulação atrás dos gols e nas laterais, mais o avanço do beiral para a chuva de vento não molhar a grama.
Na prática, isso significa cobrir algo entre 1.200 m² e 1.900 m² de projeção. É uma área de galpão. Por isso a engenharia da estrutura pesa tanto quanto a do material de cobertura — e por isso o preço total é alto mesmo quando o valor por metro quadrado parece modesto.
| Item | Mínimo | Máximo | Recomendado p/ competição |
|---|---|---|---|
| Comprimento do campo | 45 m | 55 m | 50 m |
| Largura do campo | 25 m | 35 m | 30 m |
| Pé-direito livre (cobertura) | 6 m | 9 m ou mais | 7 m a 8 m |
| Altura dos fios da grama sintética | 30 mm | 50 mm | 40 mm |
A altura é o erro mais comum de quem economiza errado: um pé-direito de 5 metros parece suficiente parado no chão, mas em campo a bola alta bate na cobertura o tempo todo. Por isso o ideal aconselhável para cobertura esportiva começa em 6 metros de altura livre no topo das colunas, e em campos society de jogo intenso vale subir para 7 a 8 metros.
A estrutura: como vencer o vão sem pilar dentro de campo
Você nunca pode ter um pilar no meio do gramado. A solução é a estrutura metálica que vence vãos longos. As duas configurações mais usadas são:
- Arco (treliça arqueada de banzo): é o modelo mais difundido para quadras e campos por unir resistência, leveza e bom escoamento de água. O formato curvo distribui melhor os esforços e permite vãos amplos. Usa perfis tubulares (por exemplo 150×50 mm ou maiores, conforme o vão) treliçados.
- Pórtico de duas águas: visual mais “telhado de galpão”, com tesouras metálicas apoiadas em pilares laterais. Funciona bem com telha metálica e facilita a colocação de calhas no encontro das águas.
Em ambos os casos os pilares ficam fora das linhas de fundo e laterais, sobre sapatas de concreto dimensionadas por cálculo. O aço deve ser galvanizado ou pintado com tratamento anticorrosivo — área esportiva tem umidade, suor e, em muitos casos, proximidade do mar ou de piscina. Esse ponto é inegociável para a vida útil da obra.
Importante: a estrutura metálica é projeto de engenharia. Vão, carga de vento (a cobertura vira uma “vela” enorme) e sucção exigem ART/RRT e cálculo. Não é item de catálogo — desconfie de quem orça por telefone sem ver o terreno.
Os materiais de cobertura: comparação direta
Escolhida a estrutura, vem a pele que fica por cima. Cada material resolve um problema diferente — calor, luz ou custo. Veja o confronto:
| Material | Conforto térmico | Luz natural | Inclinação típica | Faixa de preço/m²* |
|---|---|---|---|---|
| Telha metálica simples (galvalume) | Baixo (esquenta) | Nenhuma | ~5% a 15% | R$ 280 a R$ 470 |
| Telha sanduíche termoacústica | Alto (até -12 °C) | Nenhuma | ~5% a 15% | R$ 400 a R$ 670 |
| Telha com forro | Médio-alto | Nenhuma | ~5% a 15% | R$ 430 a R$ 730 |
| Policarbonato alveolar 6 mm | Médio | Alta (filtra UV) | a partir de ~10% | R$ 520 a R$ 870 |
| Policarbonato compacto | Médio | Alta | a partir de ~10% | R$ 650 a R$ 1.080 |
| Lona tensionada (membrana PVC) | Médio (sombra densa) | Translúcida difusa | geometria curva | sob projeto |
| Sombrite / tela de sombreamento | Só sombra (não veda chuva) | Filtrada | — | R$ 230 a R$ 400 |
*Faixas de referência da região de Piracicaba/SP, variáveis conforme estrutura, vão, altura e acabamento. Servem para ordem de grandeza, não como orçamento fechado.
Telha metálica termoacústica (sanduíche)
É hoje a escolha mais equilibrada para quem joga de dia sob sol forte. A telha sanduíche tem duas chapas metálicas (aço galvanizado ou galvalume) com um núcleo isolante de EPS, PU ou PIR, normalmente de 30 mm. Ela reduz até 12 °C a temperatura sob a cobertura e ainda corta de 20 a 40 decibéis de ruído — diferença sentida quando chove forte. O contra: não barra a radiação solar tão bem quanto se imagina e tem custo inicial maior que a telha simples.
Telha metálica simples
A opção mais barata por metro quadrado. Resolve a chuva e a sombra, mas esquenta muito: ao meio-dia vira uma chapa quente sobre o campo. Faz sentido em projetos de orçamento apertado, jogos predominantemente noturnos ou quando se complementa depois com forro/manta.
Policarbonato
Entra quando você quer luz natural sem abrir mão da proteção contra chuva e raios UV. O policarbonato alveolar (estrutura de colmeia, 4 ou 6 mm) é mais leve e econômico; o policarbonato compacto é uma chapa maciça, mais resistente a impacto e mais nobre. Ambos pedem inclinação a partir de ~10% para escoamento e bloqueiam a radiação ultravioleta. O ponto de atenção é térmico: deixa passar mais calor que a sanduíche, então em campo aberto ao sol pode ficar quente. Muitos projetos misturam — telha metálica na maior parte e faixas de policarbonato para iluminar.
Lona tensionada (tensoestrutura)
É a solução de visual mais imponente. Membrana técnica de PVC sobre trama de poliéster, com revestimento PVDF, esticada entre mastros e cabos de aço inox. A vida útil da membrana PVDF chega a cerca de 25 anos. Vence grandes vãos com peso baixíssimo e cria sombra densa, mas é projeto sob medida, com engenharia específica de tração — o orçamento sai por projeto, não por catálogo. Para quem prefere algo mais simples e econômico no espírito da lona, há também a cobertura de lona fixa em estrutura metálica convencional.
Cuidados que definem se a obra dura ou dá dor de cabeça
- Escoamento de água: respeite a inclinação mínima de cada material. Telha metálica e sanduíche trabalham com caimento baixo (~5% a 15%); lona exige caimento maior (em torno de 15% ou geometria curva) para não empoçar; policarbonato a partir de ~10%. Empoçamento é a causa nº 1 de infiltração e de peso indevido sobre a estrutura.
- Calhas e captação: 1.500 m² de cobertura geram um volume enorme de água em chuva forte. Calhas e condutores subdimensionados transbordam para dentro do campo. Dimensione pela área e pela chuva da região.
- Carga de vento: a cobertura sofre sucção. Ancoragem dos pilares e fixação das telhas precisam ser calculadas — telha que voa em vendaval costuma ser falha de fixação, não do material.
- Tratamento anticorrosivo: aço galvanizado ou pintura adequada. Ambiente esportivo concentra umidade.
- Ventilação: cobertura fechada com telha quente sem lanternim ou aberturas vira estufa. Preveja saída de ar quente no topo.
Como escolher: um roteiro de decisão
Resumindo o caminho prático:
- Joga muito de dia, sol forte, prioridade é conforto? Estrutura metálica em arco + telha sanduíche termoacústica.
- Quer luz natural e ambiente claro? Telha metálica com faixas de policarbonato, ou cobertura de policarbonato com boa ventilação.
- Orçamento enxuto e jogos à noite? Telha metálica simples, com possibilidade de complementar com forro depois.
- Quer projeto-assinatura, grande vão, estética? Lona tensionada (tensoestrutura) sob projeto.
- Só precisa de sombra, não de chuva vedada? Tela de sombreamento (sombrite) — mais barata, mas não impermeabiliza.
Em todos os casos, o primeiro passo é a mesma coisa: medir o campo, definir o pé-direito e fazer o projeto estrutural. Se a quadra também recebe eventos sociais ou área de espera, vale considerar cobertura de telha com forro nas áreas de convivência, que dá acabamento e conforto sem o custo da sanduíche em toda a extensão.
Perguntas frequentes
Qual a altura mínima da cobertura de um campo society?
O recomendável é a partir de 6 metros de altura livre no topo das colunas, e em campos de jogo intenso vale subir para 7 a 8 metros, para a bola alta não bater na estrutura. Pé-direito de 5 metros costuma ser baixo demais na prática.
Qual cobertura esquenta menos em campo society ao sol?
A telha sanduíche termoacústica é a que mais reduz o calor, derrubando até cerca de 12 °C a temperatura sob a cobertura, além de cortar ruído de chuva. Telha metálica simples é a que mais esquenta; policarbonato fica no meio, com a vantagem de iluminar.
Quanto custa cobrir um campo society?
O valor depende da área (geralmente 1.200 a 1.900 m² de projeção), do material e da estrutura. Por metro quadrado, as faixas de referência vão de R$ 280 a R$ 470 na telha simples, R$ 400 a R$ 670 na sanduíche e R$ 520 a R$ 1.080 no policarbonato; a lona tensionada sai sob projeto. Como a área é grande, o investimento total é relevante — por isso o orçamento preciso exige avaliação no local. A garantia de fábrica dos materiais é de 12 meses.
A Toldos Demais atende a região de Piracicaba/SP e faz a avaliação técnica do seu campo society — medição, definição de pé-direito, estrutura e o material de cobertura mais adequado ao seu uso e orçamento. Fale com a equipe pelo contato e receba uma proposta sob medida.
