Pela ABNT NBR 7199, a “lista” de vidros permitidos em cobertura sobre área de circulação é curta e tem um vencedor claro: vidro laminado de segurança Classe 1 (duas chapas unidas por PVB, EVA ou resina) ou vidro insulado (duplo) desde que a chapa voltada para baixo seja laminada. Vidro temperado sozinho NÃO é aceito como cobertura sobre passagem de pessoas, e o vidro aramado deixou de ser considerado vidro de segurança na revisão mais recente da norma. O motivo é simples e físico: quando uma cobertura de vidro quebra, ela está acima da cabeça de alguém. O único vidro que, ao romper, segura os cacos colados na película interna em vez de chover estilhaços é o laminado. Abaixo você vê a lista completa, o que cada tipo significa, espessuras e apoios, e quando faz mais sentido trocar o vidro por policarbonato.
A lista de vidros permitidos pela NBR 7199 em cobertura
A NBR 7199 trata do projeto, execução e aplicação do vidro na construção civil. Para cobertura horizontal ou inclinada sobre área de circulação e permanência (claraboia, pergolado envidraçado, sacada coberta, marquise sobre calçada), ela parte de um princípio: o vidro precisa reter os fragmentos em caso de ruptura. Isso elimina de cara qualquer vidro que se desintegre em pedaços soltos. A lista útil fica assim:
- Vidro laminado de segurança Classe 1 — o padrão obrigatório. Duas ou mais chapas de vidro unidas por camada intermediária (PVB, EVA ou resina estrutural tipo SentryGlas). Se quebra, os cacos ficam aderidos à película.
- Vidro insulado (duplo) com a peça interna laminada — usado quando se quer desempenho térmico/acústico. A chapa de cima pode ser temperada ou laminada; a chapa de baixo (voltada para quem está embaixo) tem que ser laminada.
- Vidro laminado temperado (temperado + laminado) — quando o projeto exige mais resistência mecânica a impacto e flexão: tempera-se cada chapa e depois lamina-se. Une a resistência do temperado com a retenção de cacos do laminado.
E o que não entra na lista para cobertura sobre pessoas:
- Vidro temperado sozinho — apesar de muito resistente, ao romper ele se fragmenta em milhares de pedaços pequenos que se soltam por inteiro. Sobre a cabeça, isso é exatamente o que a norma quer evitar. Por isso o temperado simples não é aceito como cobertura sobre circulação.
- Vidro comum (recozido/float) — quebra em lâminas cortantes. Proibido em qualquer aplicação de segurança.
- Vidro aramado — aquele com a malha metálica interna. Por muito tempo foi tolerado porque a tela “segurava” os cacos, mas a revisão da norma o retirou da categoria de vidro de segurança. Hoje não deve ser especificado como cobertura sobre área de circulação.
Por que só o laminado resolve: o que acontece quando cada vidro quebra
O ponto inteiro da NBR 7199 em cobertura é o comportamento pós-ruptura, não a resistência bruta. Veja a diferença prática entre os três comportamentos:
| Tipo de vidro | Como quebra | Cobertura sobre pessoas? |
|---|---|---|
| Comum / float | Lâminas grandes e cortantes | Não (nem é vidro de segurança) |
| Temperado simples | Milhares de grãos pequenos que se soltam por inteiro | Não — caem na cabeça |
| Aramado | Cacos parcialmente presos pela tela, mas com bordas e fios cortantes | Não (saiu da categoria de segurança) |
| Laminado Classe 1 | Trinca, mas os cacos ficam colados no PVB/EVA | Sim — é o exigido |
| Insulado com face inferior laminada | Face de baixo retém fragmentos | Sim, com a peça interna laminada |
É por isso que a frase “vidro de segurança” sozinha não basta. Tanto o temperado quanto o laminado são vidros de segurança pela classificação geral, mas só o laminado é segurança para cobertura, porque só ele retém fragmentos quando está acima de alguém. Em guarda-corpo ou fachada vertical a conversa é outra; em cobertura, o critério de retenção manda.
Espessura, apoios e inclinação: o que dimensiona a cobertura
A norma não entrega uma espessura única — ela manda calcular em função do vão, das cargas (vento, eventual acúmulo de água, manutenção) e do número de lados apoiados. Alguns pontos práticos que você deve cobrar do projetista ou do vidraceiro:
- Número de apoios. A NBR 7199 traz tabelas específicas para vidro apoiado em quatro lados e também para apoio em dois lados. Quanto menos lados apoiados, mais espessa a chapa precisa ser para o mesmo vão. Cobertura “flutuante” apoiada só em dois lados sempre pede composição mais robusta.
- Composição laminada. Em cobertura, é comum especificar laminado com duas chapas (ex.: 8+8 mm ou 10+10 mm) e PVB reforçado, justamente para suportar carga perpendicular ao plano. O dimensionamento exato sai do cálculo, não do “achismo”.
- Inclinação e escoamento. Vidro não pode ficar com água empoçada. Cobertura de vidro pede um caimento mínimo para drenar (na prática, em torno de 5 a 10 por cento, conforme o projeto), evitando carga permanente de água parada e infiltração nas juntas.
- Caixilho e folga. A chapa precisa de folga de dilatação e calços corretos; vidro engastado sem folga trinca por tensão térmica.
Resumindo: a “lista” diz qual vidro; o cálculo diz quão grosso. Os dois andam juntos. Por isso uma cobertura de vidro bem-feita começa com projeto, e não com a compra do vidro mais barato.
Vidro x policarbonato x lona: quando a NBR 7199 nem se aplica
Muita gente que pesquisa “vidros permitidos pela NBR 7199” na verdade quer uma cobertura translúcida e nem precisa de vidro. Vale comparar antes de fechar:
| Solução | Peso | Risco em ruptura | Faixa de referência |
|---|---|---|---|
| Cobertura de vidro laminado 6mm | Alto | Retém cacos (Classe 1) | R$ 750 a R$ 1.250/m2 |
| Policarbonato alveolar 6mm | Muito leve | Não estilhaça | R$ 520 a R$ 870/m2 |
| Policarbonato compacto | Leve | Praticamente inquebrável | R$ 650 a R$ 1.080/m2 |
| Cobertura de lona | Leve | Sem risco de estilhaço | R$ 310 a R$ 520/m2 |
O policarbonato é a alternativa direta ao vidro quando o que importa é luz + proteção: é até 200 vezes mais resistente ao impacto, não estilhaça, pesa uma fração do vidro (estrutura mais simples) e dispensa toda a discussão de retenção de fragmentos da NBR 7199, porque não gera cacos cortantes. Pede inclinação um pouco maior (a partir de cerca de 10 por cento). Já a lona entra quando você quer sombra e proteção de chuva sem translucidez total de vidro. O vidro continua imbatível em estética, planura e isolamento acústico — desde que seja o laminado certo e bem dimensionado. As faixas acima são de referência e variam com vão, estrutura, acabamento e acesso à obra.
Erros comuns que reprovam uma cobertura de vidro
- Comprar temperado “porque é mais forte”. Forte não é o critério em cobertura — retenção de fragmentos é. Temperado simples sobre passagem não passa na norma.
- Aceitar aramado de orçamento antigo. Ele saiu da categoria de segurança; não especifique para cobertura nova.
- Insulado com as duas faces temperadas. A face inferior precisa ser laminada para reter caco.
- Vidro fino para “economizar”. Sem o cálculo de apoio/vão, a chapa flexiona, vibra e trinca.
- Zero inclinação. Água parada vira carga permanente e infiltração.
Perguntas frequentes
Vidro temperado pode ser usado em cobertura pela NBR 7199?
Temperado sozinho, não, quando a cobertura fica sobre área de circulação ou permanência de pessoas. Ele é resistente, mas ao romper se fragmenta em pedaços que se soltam por inteiro. A norma exige retenção de cacos, o que só o laminado garante. Temperado só entra dentro de um conjunto laminado (temperado + laminado) ou como a face superior de um insulado cuja face inferior seja laminada.
O vidro aramado ainda é permitido em cobertura?
A revisão mais recente da NBR 7199 retirou o vidro aramado da categoria de vidro de segurança. Na prática, ele não deve mais ser especificado como cobertura sobre circulação. Em obras antigas você ainda o encontra, mas para projeto novo o caminho é o laminado.
Qual espessura de vidro laminado usar na minha cobertura?
Não existe número único — depende do vão, do número de lados apoiados e das cargas. A NBR 7199 traz tabelas de cálculo (inclusive para vidro apoiado em quatro lados). Composições como 8+8 mm ou 10+10 mm com PVB são comuns, mas o valor correto sai do dimensionamento. Sempre peça o cálculo antes de comprar.
A Toldos Demais atende a região de Piracicaba e cidades vizinhas (DDD 19) e faz cobertura de vidro, policarbonato e lona com avaliação técnica no local para indicar o vidro e a estrutura certos para o seu vão. Fale com a gente pelo contato e receba uma orientação sob medida.
