Letra Q | Glossario Toldos Demais | 8 min de leitura

Quais São os Cuidados ao Instalar Coberturas de Telha Metálica Simples em Áreas Ventosas?

Quais São os Cuidados ao Instalar Coberturas de Telha Metálica Simples em Áreas Ventosas? - Glossario Toldos Demais Quais São os Cuidados ao Instalar Coberturas de Telha Metálica Simples em Áreas Ventosas? - Glossario Toldos Demais

Sim, mas só se a fixação, o beiral e o contraventamento forem dimensionados para a sucção do vento, e não apenas para o peso da chuva. Em área ventosa o vilão não é a carga que empurra a telha para baixo, e sim a sucção (efeito asa) que a puxa para cima, justamente nas bordas, beirais e cumeeira. Telha metálica simples é leve, então a estrutura, o número de parafusos e o recobrimento precisam vencer esse arranque conforme a NBR 6123 e a NBR 15575-5, que proíbem remoção de componentes sob sucção.

Por que o vento arranca telha metálica simples (e onde ele ataca)

A telha metálica simples (chapa única, sem isolamento) é leve — costuma pesar entre 4 e 6 kg/m². Esse é o seu ponto fraco em local ventoso: o problema não é o vento que empurra a telha contra a estrutura, e sim a sucção. Quando o ar passa rápido sobre o telhado, gera baixa pressão acima da chapa e a puxa para cima, igual à asa de um avião. É o chamado efeito asa.

Essa sucção não é uniforme. Ela se concentra em três regiões críticas, que são onde quase todo destelhamento começa:

  • Beirais e bordas — a aresta livre é o ponto de maior pressão negativa.
  • Cumeeira — o topo, onde o fluxo descola e a sucção dispara.
  • Cantos do telhado — somam efeitos de duas bordas e recebem os maiores picos.

Por isso, dimensionar a fixação só pelo peso da chuva é o erro de raiz: a cobertura precisa resistir ao arranque, e o arranque é maior justamente nas pontas.

A norma que rege isso: NBR 6123 e NBR 15575-5

Em local ventoso, a fixação não deve ser “no olho”. O cálculo da força do vento segue a ABNT NBR 6123, que considera a velocidade básica do vento da região, a altura e a forma da edificação e os coeficientes de pressão. A partir disso se define quantos parafusos por metro quadrado e qual estrutura de apoio a telha precisa.

Já a ABNT NBR 15575-5 (Desempenho, sistema de coberturas) é direta: sob a ação do vento calculada pela NBR 6123, não pode ocorrer remoção nem dano de componentes da cobertura por esforço de sucção. Ou seja, telha que voa não é “azar do temporal” — é projeto fora da norma.

Na prática, isso se traduz em três decisões: estrutura mais rígida (terças/contraventamento), mais pontos de fixação nas bordas do que no centro, e recobrimento correto entre telhas. Em regiões litorâneas, de morro ou de campo aberto, a velocidade básica de vento é maior e esses números sobem.

Cuidados de instalação que fazem a diferença

Os pontos abaixo são o que separa uma cobertura que aguenta temporal de uma que destelha no primeiro vento forte:

  • Fixar mais nas bordas: reforce a quantidade de parafusos nos beirais, na cumeeira e nos cantos. Uma média geral de 3 a 4 parafusos por m² é referência, mas nas faixas de borda se adensa.
  • Parafuso e vedação certos: use parafuso autobrocante com arruela e vedação de EPDM (borracha). Apertar até comprimir a borracha — nem frouxo (afrouxa e infiltra), nem esmagado (rasga a vedação).
  • Beiral curto: o balanço entre a última terça e a ponta da telha não deve passar de ~40 cm. Beiral comprido vira alavanca para o vento levantar a chapa.
  • Montar contra o vento dominante: as telhas devem ser sobrepostas no sentido contrário ao vento predominante da região, para o ar não “entrar por baixo” da emenda.
  • Recobrimento e inclinação: respeitar a sobreposição lateral e longitudinal do fabricante e a inclinação mínima (em geral a partir de 5%, mais em vão grande), para evitar retorno de água com vento.
  • Contraventamento: como a estrutura é leve, o travamento (contraventamento) das terças é o que mantém tudo estável sob rajada.

Erros comuns que causam destelhamento

A maioria das coberturas que voam repete os mesmos enganos:

  • Poucos parafusos / espaçamento exagerado entre apoios, deixando a chapa “esticar” e vibrar.
  • Furar no lugar errado: em telha trapezoidal/ondulada, o parafuso de fixação na estrutura vai na crista (onda alta), fora do caminho da água, com arruela de vedação; furar no vale (onda baixa) deixa o parafuso no fluxo de escoamento e a vedação trabalha mal, abrindo infiltração.
  • Beiral longo e empena sem acabamento, que abrem caminho para o vento entrar por baixo.
  • Reaproveitar estrutura enferrujada ou subdimensionada — de nada adianta telha boa em terça fraca.
  • Ignorar a região: a mesma telha que serve numa rua abrigada pode ser insuficiente em terreno de campo aberto, litoral ou alto de morro.

Se o local é reconhecidamente ventoso, vale comparar a telha simples com soluções de cobertura mais pesadas ou estruturadas; uma avaliação técnica define o conjunto telha + estrutura + fixação adequado ao seu vento.

Perguntas frequentes

Telha metálica simples aguenta vento forte?

Aguenta, desde que a fixação e a estrutura sejam dimensionadas para a sucção do vento, não só para o peso. Por ser leve, ela depende de mais parafusos nas bordas, beiral curto e contraventamento. Em região muito ventosa, o cálculo segue a NBR 6123 e o desempenho exigido pela NBR 15575-5.

Quantos parafusos por metro quadrado preciso em telha metálica?

Como referência geral usa-se de 3 a 4 parafusos autobrocantes por m², com arruela e vedação de EPDM. Em área ventosa, porém, adensa-se a fixação nas faixas de borda — beirais, cumeeira e cantos — porque é ali que a sucção é maior. O número exato vem do cálculo de vento conforme a NBR 6123.

Telha simples ou sanduíche para local com muito vento?

A sanduíche é mais pesada e rígida, o que ajuda contra arranque e ainda reduz ruído e calor, mas custa mais. A telha simples pode atender se o projeto reforçar estrutura, fixação e beiral. A decisão depende da velocidade de vento da região e do vão; uma avaliação técnica indica o melhor custo-benefício.

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